Fragmentos de sentido: pixação e pós-pixação

27/06/2010


A superfície da cidade é sensível. Nela está inscrita, por meio de um complexo aparato simbólico, uma representação do imaginário e das pretensões dos indivíduos que ali vivem. Parte deste aparato, fragmentado e confuso, é inscrito por informações textuais: seja de propaganda, de indicações normativas, como placas de trânsito, ou mesmo de uma expressão social tida como ilegal e marginal: a pixação.

Em Belo Horizonte, a pixação tem se tornado cada vez mais intensa, agressiva e ousada. Trata-se do código expressivo de um grupo social bastante específico. Um código construído propositalmente como uma espécie de desafio à sociedade da qual este grupo faz parte. Ao mesmo tempo, a pixação é um código fechado, somente possível de ser decifrado entre seus praticantes que, além de desafiarem seu meio social , estão também desafiando-se entre si, em uma competição constante por status. Esta competição não é compreensível aos olhos da maioria das pessoas para quem o fragmento de informação da pixação está visível. Mas a pixação faz parte do cotidiano de todos que vivem na cidade.

Por isso, decidimos entrar neste circuito fechado. De certa forma, estamos respondendo ao desafio dos pixadores. No entanto, sem a ambição de participar de sua competitividade e muito menos de tentar lhes provar nada. Decidimos simplesmente estilhaçar ainda mais o fragmento de informação codificada dos pixadores.

Trabalho realizado nas ruas de Belo Horizonte em 11 de abril de 2010 por Patricia Mara e Luiz Navarro.


3 Responses to “Fragmentos de sentido: pixação e pós-pixação”

  1. cyrano Says:

    Acho que ainda prefiro o humor ácido do Banksy. Porque estilhaçar os fragmentos? Não seria mais desafiador propor algo novo?


    • Oi Cyrano, o trabalho do Banksy é realmente muito bom, mas nao acho que deva comparar desta forma. Este trabalho esta lidando com outra linha de pensamento… reutilizamos uma imagem que ja existe, é o objetivo do trabalho mesmo, e isso pode ser considerado como algo novo sim, apesar disso nao ser importante pro trabalho…

  2. cyrano Says:

    :) Mas a gente sempre lida com aquilo que já existe… “Destrói” de alguma maneira para construir algo novo. E não sei se você está sendo sincera ao dizer que ser algo novo não é importante para esse trabalho — fosse esse o caso, porque então fazê-lo? Não que a gente tenha que buscar ou sempre busque um ineditismo. Mas se temos vontade de falar, é inevitável que falemos algo novo, inclusive nos casos onde estamos tentando repetir o antigo.

    Mas basta de filosofia. Meu comentário foi sobre a linha de pensamento mesmo… Por que fragmentar ainda mais? Em? Em? :)


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